9. TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 23.3.13

1. VESTIDOS PARA CONECTAR
2. VOLTA S ORIGENS

1. VESTIDOS PARA CONECTAR
Conhea as roupas e os acessrios que iro assumir o posto hoje ocupado por tablets e smartphones
Juliana Tiraboschi

Com suas criaes, os desenvolvedores de equipamentos tecnolgicos j entraram pelas portas de nossas casas, escritrios e carros. Agora, investem pesado para se apoderar da mais ntima de nossas chaves, a do guarda-roupa. Para muitos deles, o futuro da tecnologia passa por dispositivos cada vez mais grudados  pele do usurio. Apostam que relgios, culos e camisetas iro ocupar o espao hoje dominado por tablets e smartphones.
 
A estratgia seduziu as gigantes da tecnologia. Um dos lanamentos mais aguardados nessa rea  o Google Glass, os culos de realidade aumentada da empresa de internet. A ideia do aparelho  levar a tela do smartphone diretamente aos olhos, permitindo que o usurio fotografe, grave vdeos, leia mensagens e pesquise, tudo por comando de voz. A inspirao vem dos anos 1980, quando o pesquisador Steve Mann, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), fazia experimentos com um trambolho em forma de culos de realidade aumentada ligado a um computador. Ele no fazia nem metade do que o Google Glass faz, mas o conceito  o mesmo, diz o designer de interfaces digitais Leandro Sampaio, pesquisador da chamada computao vestvel.
 
Outras grandes empresas tambm despertaram para a tendncia. A Nike lanou a FuelBand, pulseira conectada ao smartphone que rastreia os hbitos de atividade fsica. A Sony criou seu relgio smart, o LiveView, que mostra atualizaes de redes sociais na telinha. Por ltimo, mas no menos importante, o mundo aguarda o iWatch, relgio da Apple que estaria sendo desenvolvido em segredo e reuniria atributos de outros dispositivos feitos pela empresa.
 
Os nmeros mostram que, para os fabricantes,  um grande negcio entrar nessa corrida. Segundo levantamento da consultoria britnica Juniper Research, o mercado de tecnologia vestvel movimentar US$ 800 milhes neste ano no mundo. E ir quase dobrar em 2014, chegando a US$ 1,5 bilho. A empresa de pesquisas IMS Research corrobora o otimismo e afirma que essa cifra deve alcanar US$ 6 bilhes at 2016, ano em que, estima-se, sero vendidos 92 milhes de aparelhos com tecnologia vestvel.
 
Para que essas pequenas maravilhas se popularizem, no entanto,  preciso superar alguns obstculos. Um  a proteo de dados, j que todas as mquinas coletam e fazem transitar informaes pessoais dos usurios. Outra barreira  a infraestrutura:  preciso ter internet e Wi-Fi por todos os lados. Com a oferta precria de redes e velocidade insatisfatria de transmisso de dados, em vez de produtos avanados so os nervos que ficam  flor da pele do consumidor brasileiro.


2. VOLTA S ORIGENS
Nova tcnica de restaurao ecolgica ir deixar trecho de Mata Atlntica, no Rio de Janeiro, com o mesmo aspecto que tinha antes da chegada do homem
Wilson Aquino

 SEMENTE - A biloga Andrea Vanini e uma muda nativa da mata atlntica. A planta colabora ativamente no processo de restaurao
 
Um punhado de sementes ou mudas  nativas ou no , adubo e regas com gua. Essa frmula singela de reflorestamento ajuda a cobrir reas devastadas e pacifica a conscincia ambiental de muita gente. Mas, para um grupo de ecologistas, isso no basta. A meta deles no  apenas recolorir de verde a paisagem, mas sim devolver a ela todos os tons, fauna e flora que existiam ali antes da apario do homem e suas ferramentas. O conjunto de estratgias para atingir esse objetivo foi batizado de restaurao ecolgica e comea a ganhar fora no Brasil. O mtodo consiste em medidas que induzem os ecossistemas a se regenerar por conta prpria, retomando a aparncia e a diversidade que tinham milnios atrs. Parece uma misso impossvel, mas a floresta volta, afirma a biloga com mestrado em cincias florestais Andrea Vanini, que coordena um projeto da Fundao Osvaldo Cruz (Fiocruz) de restaurao ecolgica em uma rea de Mata Atlntica no Macio da Pedra Branca, no Rio de Janeiro.

Antes de cavar buracos para espalhar as mudas,  preciso estudar o local e conhecer profundamente as espcies nativas. Devolvidas ao solo que ocupavam, essas plantas comeam o processo de funcionamento natural da floresta: atraem outras espcies arbreas (atravs da polinizao) e a fauna (pelo apetite) que compunha o bioma antes da degradao.  esse o ponto em que a restaurao ecolgica mais se diferencia de outros mtodos de recomposio ambiental. O mero reflorestamento tambm faz crescer rvores, mas sem que elas promovam a sua funo ecolgica de ajudar na reconstituio do cenrio original. Sem a restaurao, fica uma floresta oca por dentro, que acaba voltando para o estado de degradao em que se encontrava antes, afirma o gestor ambiental Pedro Castro, secretrio-executivo do Pacto Pela Restaurao da Mata Atlntica.

Alm de plantar mudas e sementes com a mesma variedade original da Mata Atlntica, o projeto da Fiocruz, que conta com R$ 2,5 milhes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e Social (BNDES), cuida da retirada de espcies exticas que foram introduzidas na regio. A meta  abrigar uma diversidade de 400 espcies por cada 100 metros quadrados. Do jeitinho que, segundo os estudiosos, a selva estava antes das intervenes humanas. Em termos ecolgicos, no h nada mais civilizado que isso.

